LIMITES NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele. Provérbios 22:6


Somos as primeiras gerações de pais, decididos a não repetir com os filhos, os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.

 

O grave é que estamos lidando com crianças mais ‘espertas’, ousadas, agressivas e poderosas do que nunca. Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. 

 

Assim, somos a última geração de filhos, que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais, que obedecem a seus filhos. Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos, que nossos filhos nos faltem com o respeito. 

 

À medida que o permissível, substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais, aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam suas ordens e os tratavam com o devido respeito.

 

E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais. Mas, na medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que poucos os respeitem. E são os filhos quem,  agora,  esperam respeito de seus pais,  pretendendo de tal maneira,  que respeitem as suas ideias,  seus gostos,  suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim. Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora são os pais, quem tem que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso,  como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje, tantos pais e mães para ser os melhores amigos e “dar tudo” a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem. 

 

Se o autoritarismo do passado,  encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente,  os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles. Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter e de guiá-los,  enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.

 

Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade, para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente, liderando-os e não atrás, os carregando e rendidos à sua vontade. É assim que evitaremos que as novas gerações, se afoguem no descontrole e tédio  no qual está afundando uma sociedade, que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino. Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.

Pastor Miquéias Campos Amaro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *